terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Personagens do carnaval.

Aproveitando esta época de carnaval e a falta de inspiração para as estórias mais autobiográficas, vou imitar as embromações do amigo Odilon e escrever sobre os principais personagens carnavalescos. Todos eles são importados, visto que a festa que representa o orgulho nacional não teve sua origem no folclore indígena. O carnaval brasileiro foi formado, ao longo dos anos, por uma salada de manifestações populares e artísticas que ainda estão por merecer um documento histórico pormenorizado e atualizado.

Na sua forma inicial nada tinha a ver com o samba, mesmo porque esta manifestação musical nem existia, ou com a festa monumental, característica dos dias atuais. Imitando os modelos europeus, os carnavais do século passado se limitavam a desfiles urbanos com foliões usando máscaras e fantasias. As personagens, motivos das fantasias, também eram imitações das suas congêneres carnavalescas de Veneza ou Paris.

A Commedia dell’Arte, surgida na Itália em meados do século XVI como uma forma de representação mais livre e burlesca, criou um contraponto com as peças clássicas representadas de forma mais estruturada. Nela os temas eram apresentados por tipos populares que misturavam a sátira e o romance. O comportamento dos personagens enquadrava-se em padrões: o amoroso, o velho ingênuo, o soldado, o doutor, o fanfarrão, o pedante, o criado astuto.

Em grande destaque aparece o Pedrolino, inspirador do seu similar Pierrot. As suas características de honestidade, charme e gentileza criam um universo cheio de situações corretas em torno deste personagem. Hoje seria considerado um bobo total, visto que dificilmente fugiria do politicamente correto. Vestido de branco – símbolo da pureza – em roupas largas assemelha-se aos palhaços, confundindo-se eventualmente com o Polichinelo.

No seu contraponto encontra-se o Arlequim. Também da troupe dos serviçais, porém completamente inescrupuloso não mede esforços para conseguir os seus intentos. Envolvente e ardiloso consegue tirar o foco das suas trapalhadas direcionando para o pobre Pierrot. Imortalizado em suas roupas de losangos, famoso pela sua agilidade e desfaçatez consegue, espertamente, conquistar o amor da Colombina.

Completando o triangulo amoroso revela-se a Colombina. Em geral aparece como uma serva ou acompanhante de uma dama, com quem pode ser confundida pela beleza, inteligência e humor irônico. Envolve-se em intrigas, fofocas e trapalhadas muitas vezes induzida pelo outros elementos do trio. Ela é amada, secretamente, pelo Pierrot a quem, voluntária ou involuntariamente faz sofrer, com confidências da sua paixão pelo rival Arlequim.

Pelo apresentado, podemos ver que nada mais moderno e novelesco do que estes personagens do carnaval. As aventuras amorosas realmente não evoluíram muito nestes séculos. Pelo menos na parte popular.

5 comentários:

odilon disse...

Porque você não aproveita e nos brinda com mais curiosidades do carnaval. Poderia falar sobre confetes, serpentinas lança-perfume ou quem sabe os corsos e cordões.

E os outros personagens vão aparecer também? O Momo, as rainhas, os reis dos desfiles de fantasia...

Roberto disse...

Olha só, foi muito bom ler teu post poi confesso que pouco sabia do "perfil" dos pernonagens que tu falaste. Sabia muito po cima, mas não sabia a que extrato social pertenciam....[por exemplo]
Se bem, que eu deveria saber isso, sim, pois quase quase, sou do tempo do Entrudo, das bexigas de "água-de-cheiro", avós da lança-perfume...
E eu fazia o "corso" sim, na baratinha verde, de capota arriada do meu tio, jogando confete e serpentina para os transeuntes...[long ago and far away...]

Adriana disse...

Brilhante passagem pelo tempo.Estas viagens pelo túnel do tempo são eletrisantes.

sarah disse...

esse site é legal mas eu só ñ gostei muito dele pq ñ respondeu a minha pergunta da forma q eu qria

mayra lima disse...

que bomm
gostei!