segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz Ano Novo.

O melhor que se pode fazer para alcançar um ano novo repleto de tudo o que queremos é simplesmente fazer um imenso pensamento positivo, envolvendo nossos desejos.

Não sou contra as simpatias, acho-as bastante simpáticas, inclusive faço algumas. Lógico que nem de perto chego a exageros para conseguir tranqüilizar meus anseios para o novo ano. Nada de fazer um curso prático de cromoterapia para descobrir qual a cor ideal para usar na cueca à meia-noite.

Minhas simpatias são bem mais simples, brindar com champanhe, comer sete uvas, fazendo sete pedidos e guardar os caroços. Tendo jogado fora os do ano anterior. Mais o mais importante é o pensamento positivo, deixar que uma onda de bons presságios tome conta do corpo. Ter sempre na cabeça que um dia feliz é um dia a menos infeliz, e partir rumo ao novo ano.

Um Feliz 2008 a todos os amigos. Muito obrigado pelos excelentes momentos que partilhamos. Que com simpatias, pensamentos positivos ou fé, todas as expectativas para o próximo ano passem a ser realidade.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Quem mandou ir!!!

Lendo uma notícia hoje pela manhã no UOL, a impressão que eu tive é de que o mundo só gira. Gira trezentos e sessenta e cinco ou seis vezes e algumas coisas permanecem exatamente iguais.

Desde que me conheço por gente, e isso faz muito tempo, descer para o litoral no final do ano, sempre foi um martírio. Horas e horas em um engarrafamento louco. Pessoas passando mal a beira da estrada, com sede, fome, fazendo as necessidades no mato, crianças desidratadas e todos extremamente irritados por estarem passando por aquilo. Antigamente, eu ficava bastante revoltado com as notícias, quando as lia. Achava um absurdo esta falta de infra-estrutura na operação descida, que não era programada pelas autoridades.

Com o passar do tempo, com a repetição da mesma ladainha, falando exatamente das mesmas atrocidades cometidas contra os pobres viajantes que se lançam nesta epopéia alucinada da viagem de decida para o litoral, resolvi mudar minha opinião a respeito do assunto.

Primeiro que eu não tenho uma inteligência superior a das pessoas que se aventuram na romaria. Elas podem pesar exatamente como eu e sossegar o facho em casa. Está certo eu não gosto de praia, mas acho que não entrava nesta nem para ir para o lugar que eu mais gosto no mundo, que não vou falar aqui para não parecer pedante.

Outra. Eu acho que já virou institucional o folclore do número de horas que se gasta para atravessar os míseros cem quilômetros. Parece que cada pessoa quer desperdiçar mais tempo que outra. A concorrência pelo pior. Merecendo o pódio aquelas que, coitadas, passaram a virada do ano na estrada.

Então hoje ao invés de me condoer com as pobres criaturas que se lançam nesta empreitada, só tenho um pensamento – que no ano que vem seja tudo igual, vocês escolheram.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

E por falar em anjo...

Eu penso que todo mundo deveria acreditar neles. Só de lembrar em anjos, no mínimo, já estamos dando aos nossos corações um toque de nobreza. Não tem como não ser assim, pensar neles nunca é negativo. As divinas criaturas exalam bondade, ternura e generosidade. Poeticamente a lembrança de um anjo normalmente é alguma coisa alva, pura, leve e sempre com uma aura imaculada.

De uma maneira diferente da preconizada pela religião, livros ou gravuras, eu acredito na existência deles. Sob a forma de uma energia vigorosa pura, cheia de boas vibrações que ao colidir, destrói todo um invólucro de forças ruins que estejam consumindo uma pessoa. Para mim um anjo é isso, uma energia repleta de positividade.

Eu consigo conviver com as duas formas. Automaticamente minha cabeça transforma esta força, dá uma imagem a ela. Talvez por ter sido um dos primeiros ensinamentos religiosos, recebidos de minha mãe, minha imagem de anjo quando penso nesta energia, é a figura do anjo da guarda. Desde muito pequeno eu aprendi a abrir meu coração para o meu anjo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ou talvez, em outro local, longe dali...

Onde estou? Esta foi a primeira pergunta que lhe veio à cabeça depois de acordar bruscamente. Que lugar era aquele? Como chegara ali? Não se lembrava de nada, sentia uma forte dor na garganta, quase insuportável. Estava caída no chão. Será que teria sofrido algum acidente? Desafrouxando a echarpe magenta que estava prendendo sua respiração, ajeitou o sobretudo e tentou levantar. Estava muito escuro, sentiu um pouco de medo, a única luminosidade vinha de um ponto que parecia ser o fim de um corredor. Cambaleante andou vagarosamente ao encontro daquela luz extremamente forte.

Chegando à claridade parou, olhando incrédula ao que via. O ambiente era completamente etéreo, estava lotado de pessoas, ou pelo menos ela imaginava que eram pessoas. Todas vestidas de um branco como jamais ela havia visto. Imediatamente sentiu uma paz celestial. Os seres que ali estavam deslocavam-se como estivessem flutuando. Sua visão estava um pouco distorcida, mas perecia que elas tinham asas. Pareciam anjos. Não existia o chão, eles realmente estavam voando.

Notou que um deles, o mais radiante de todos, de longe a avistou, sorriu e veio ao seu encontro. Sem que ele abrisse a boca ela ouviu sua voz. O anjo explicava que aquele era o momento da decisão, ela poderia dar um passo à frente ou recuar. À frente significava toda aquela vida iluminada, atrás toda a escuridão de um mundo cheio de perigos.

Então eu estou morta. Imediatamente se recordou de tudo. A fechada em seu carro, obrigando-a a perder o controle e parar nas margens da represa. A forte pancada que levou na cabeça quando o carro estancou. Seu pedido de socorro à pessoa que abriu a porta do carro. Seu horror ao notar que estava sendo estrangulada com sua própria echarpe. Antes de apagar completamente sentiu o carro deslizar para dentro da água. Seu último pensamento - alguém está me matando. Tinha certeza de já haver lido em algum lugar a situação pela qual passava.

Olhou fixamente o anjo que sorrindo lhe estendeu a mão. Segurou naquela delicada criatura e deu um passo a frente. Com susto sentiu um grande volume crescer à suas costas. Sim, eram asas, ela agora tinha asas. Numa total insegurança, mas apoiada em seu condutor, deslizou suavemente por aquele ambiente inebriante.

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Convite aos amigos:

Pegando a deixa do Odilon, e enquanto esperamos a continuidade da Confraria, sem cobranças, eu convido os amigos, por puro divertimento e sem o mínimo de compromisso com a estória, para que postem a sua versão dos fatos.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal fora do ar.

Amanhã viajo para passar o Natal na minha terra. Tenho duas irmãs que ainda moram, ou se escondem, naquele cantinho do mundo.

Como lá um computador plugado na rede não é coisa muito fácil de conseguir, provavelmente vou ficar isolado. Sem postar aqui no blog.

No entanto não poderia deixar de desejar a todos os amigos um grandioso e feliz Natal, com um monte de coisinhas boas vindas do bom velhinho. Sucesso para os que vão receber e boa sorte para os que serão recebidos.

Feliz Natal!!!!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

É Natal!

Que correria danada! Parece que o mundo vai acabar; não o ano. A semana que antecede o Natal, sempre acaba sendo uma correria, por mais planejamento que se faça. Este ano resolvi que não iria passar pelo estresse natalino. Comecei a planejar presentes, viagens e visitas com bastante antecedência. Que nada, me esqueci de que a data cai em uma terça-feira, fazendo com que os preparativos praticamente se encerrem na sexta-feira.

Não teve jeito, a programação foi por água a baixo. Tudo outra vez, correria e mais correria. Fora o fato de que neste ano, se reuniram três componentes que não são compatíveis, São Paulo, chuva e Natal. São Paulo com seu trânsito insuportável, a chuva que deixa o trânsito insuportável caótico e o Natal, que com a chuva, torna o trânsito de São Paulo simplesmente infernal.

Hoje, assim que sai no portão da garagem já senti que o trânsito na rua não estava fácil. Tentei voltar, mas já vinha saindo outro carro atrás de mim. Fui para rua já desistindo do meu propósito de chegar a algum lugar. Conclusão, eu demorei simplesmente trinta minutos para dar a volta no quarteirão e entrar de novo na garagem, Santa paciência!

Mas faz parte, não é? Para não ter um segundo enfarto, tento me acalmar e entrar no clima. É Natal!

Gingo bell, gingo bell, e vamos levando!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Um cara de sorte.

Eu me considero um sortudo na vida. Minha infância e minha adolescência foram relativamente normais, sem grandes acontecimentos, mas também sem grandes traumas. A grande guinada aconteceu depois que completei 30 anos. Parece que o céu estava esperando esta idade para me contemplar com um monte de coisas boas.

Novembro de 1982 foi o marco inicial de uma nova fase em minha vida. Não quero abrir aqui páginas de confissões e explicar porque esta data é importante para mim. Quem me conhece mais de perto sabe o que aconteceu. É importante e pronto! Tudo começou a tomar um novo foco, um novo caminho.

Lógico que depois desta data aconteceram coisas bastante desagradáveis. A perda de meus pais com certeza é uma delas. De minha irmã mais velha, pior ainda. Descobrir que sou cardíaco e que tive um infarto não sei quando, ter feito procedimentos para sanar este problema, também não foram coisas muito agradáveis. Mas também foi só, o resto foram problemazinhos que a gente tira de letra. Estes tropeções eu costumo dizer que são para aprimorar o aprendizado de vida.

Vou contar agora um fato de pura sorte que me aconteceu. Eu já falei aqui em algum momento que adoro viajar, minha primeira viagem à Europa foi em 96. Eu e um amigo resolvemos de início visitar três cidades, Paris (lógico), Londres e Roma. Comprei a passagem via uma agência de turismo. Paguei com cartão de crédito em quatro parcelas e adivinhem? Nunca me cobraram esta passagem. Sorte não? Foi, mas alguém lá em cima achou que era pouco para mim. Em 98, resolvi voltar a Paris. Todo procedimento novamente, passagem, agência de turismo, cartão de crédito e... É, de novo, nunca me cobraram também, aliás, duas passagens, porque tinha comprado a do meu amigo no meu cartão.

Só por estes dois fatos eu poderia me considerar uma pessoa com bastante sorte. Mas foram inúmeras vezes que coisas boas aconteceram em minha vida depois dos trinta. Eu agradeço a Deus por cada uma delas e principalmente pelo que aconteceu naquela data.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

As avós são um mistério.

Porque toda mãe, quando se torna avó, amolece totalmente qualquer rigidez que por ventura tinha na educação dos filhos?

Com a minha não foi diferente, aliás, com os netos ela fez tudo totalmente ao contrário do que sempre espalhava aos quatro ventos na minha infância. Comigo e minhas irmãs ela foi muito, mas muito rígida mesmo. Uma educação exemplar, como se dizia na época. Aprendemos tudo sobre respeito e boas maneiras. Tudo acontecia dentro dos moldes estipulados por ela. Dona soberana de nossa educação, ela trazia todos dentro dos padrões estabelecidos.

Quando vieram os netos, de rígida passou a totalmente flexível. Em nossa época, nada podia e conseguir alguma regalia era uma árdua tarefa de convencimento. Com os netos, tudo podia, conseguiam que ela aceitasse situações que, às vezes, deixavam minhas irmãs bastante contrariadas.

Para os netinhos ela mesma apresentava as mais variadas e cabeludas desculpas. Já com os filhinhos, por qualquer motivo, virava uma fera. E nós, com medo de levar umas boas chineladas, corríamos para perto de quem? Da minha avó, naturalmente. Que escondia a gente atrás de sua saia e não deixava minha mãe concluir seu intento e, assim, tornava-se a nossa defensora, contra os rígidos castigos que minha mãe dava. Ela estava sempre disposta a interceder por nós. Era um amor de velhinha, quer dizer um amor de senhora, visto que na época ela devia ter uma idade bem perto da minha hoje.

Eu acho bastante curioso este amolecimento das mulheres quando se tornam avós. O que será que acontece? Não sei. Para mim isto sempre foi e sempre será um mistério.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Casaquinho de Ban-lon.

Na realidade tratava-se de um conjunto de ban-lon. Uma blusa decotada de mangas curtas, confeccionada de malha sintética, relativamente justa no corpo, e um casaquinho de manga comprida ou três quartos, da mesma malha, na mesma cor, que era usado sobre a blusa.

Qualquer mulher, independente da idade, no final dos anos 50 começo dos 60, tinha pelo menos um conjuntinho deste. Por ser uma peça bastante prática era muito comum ter estes conjuntos em diversas cores, normalmente em tons pastéis, com condizia a uma moça de família da época, e os mais escuros, marrons e pretos, eram os preferidos das senhoras.

Prestem atenção ao assistirem algum filme rodado nesta época, com certeza irão ver alguma atriz com o tal conjuntinho, eles eram muito populares em qualquer parte do mundo. Além de bastante elegantes e muito comportados.

O tecido, ban-lon, não era exclusivamente feminino, foram criadas algumas camisetas masculinas do tipo pólo, mas não chegou a ser uma moda que marcou uma geração. Eram esportivas demais, e ficaram restritas à prática de esportes.

De tão comum que eram estes conjuntos inspiraram uma expressão muito engraçada – quando alguém queria referi-se a alguma coisa mais que bonita dizia: mais bonitinho que casaquinho de ban-lon, ou então, bonito? Bonito é casaquinho de ban-lon!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Maria Fumaça.

Eu tinha dez anos de idade quando sai de Minas e vim morar em São Paulo. Os meios de transporte disponíveis na época eram os automóveis e os trens. Em qualquer um deles as viagens eram extremamente cansativas e duravam em torno de dez a doze horas. A escolhida pelo meu pai foi a de trem. O número de pessoas envolvidas precisaria de dois automóveis. Só explicando, o uso da palavra automóvel é porque, na época, ninguém falava carro, todos tinham automóveis.

Dez horas até Campinas, com o trem da Mogiana, movido a carvão, o tal Maria Fumaça, mais duas horas em trem elétrico, um luxo naquele dias. Enfim meio dia apreciando a paisagem da janelinha do trem. Por ser criança eu tinha prioridade no lugar.

Partimos às 5 horas da manhã. Um verdadeiro batalhão de gente foi se despedir na estação. Como todos levaram um lanchinho para nossa longa viagem, acabamos viajando com muita comida, de bolo de fubá a frango assado com farofa, a quantidade era infinita. De fome com certeza não morreríamos, nem se o trem ficasse parado uns dois dias. Mas não tínhamos o que fazer, naquela época, era deselegante não trazer os lanchinhos.

Deixando uma infinidade de cidades para trás, a tal Maria Fumaça foi sacudindo sobre seu caminho de ferro. Para mim, cuja viagem mais longa até então tinha sido para Guaranésia, uma cidade vizinha onde morava uma tia, irmã de minha avó, a aventura era sem igual. O mês, março. Um calor infernal. A pequena janela, que existia ao lado de nossos lugares, não podia ser muito utilizada. Era perigoso, pois se ficava exposto a queimaduras pelas fagulhas que voavam da chaminé da máquina. Nem pensar em colocar braços ou rosto para fora.

Depois de exatamente dez horas de viagem, repleta de vistas maravilhosas e muita comilança chegamos à estação de Campinas. Ali começou uma nova aventura. Nunca tinha andado em velocidade tão alta como a daquele trem movido à eletricidade. As paisagens passavam, pela grande janela, numa rapidez assustadora. Em pouco tempo descemos na plataforma da Estação da Luz, no centro de São Paulo.

Boas lembranças. Isto faz muito tempo, mas até hoje aventura para mim tem nome - viagem de trem. As emoções da Maria Fumaça foram sem igual na minha vida, encontrando emoção semelhante só quando, com meus quatorze anos, vi o mar pela primeira vez. Mas isto é assunto para outro post.

* óleo sobre tela, Maria Fumaça, imagem obtida no site do artista plástico João Barcelos.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Espírito de Natal.

Dia produtivo até agora. Praticamente todas as compras de Natal já feitas. A ceia não vai ser na minha casa e não terei convidados para me preocupar. Mesmo sem um espírito completamente natalino, esta sendo até light. Não sou muito fã destas comemorações de fim de ano.

Bom fim de semana para todos!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Fama é fama.

Monte Santo de Minas
Há tempos atrás, em minha terra, existia uma festa muito famosa na região, a de Nossa Senhora Aparecida. Naturalmente ela acontecia no mês de outubro, de três a doze mais precisamente. O gran finale acontecia, naturalmente, no dia da santa com festejos que traziam à cidade um grande número de visitantes.

Eu nasci durante esta festa. O ano, deixa quieto. E graças a uma antecipação de 02 dias vocês não estão lendo textos do Aparecido. Era o desejo de meu pai, se eu nascesse dia doze. Ainda diante de um impasse, prevaleceu o bom senso de minha mãe que resolveu me batizar com o nome do meu pai. Ela dizia que o havia convencido praticamente, no leito, na hora do parto.

Sou o sexto filho, depois de uma série interminável de meninas. Então, imaginem a felicidade com o nascimento do rebento. Nasci à noite, na hora da festa. Festa que meu pai parou para anunciar nos alto-falantes, que eram bem comuns em festas da época, o nascimento do Júnior.

Contam as pessoas mais velhas de Monte Santo, que ele invadiu a quadra onde acontecia o festerê e com sua Harley-Davidson, ficou fazendo círculos, muito barulho e gritaria. E não sossegou até conseguir parar a festa para fazer o anúncio. Radiante de felicidade. Com certeza não sabia, naquela hora, a encrenca que havia arrumado.

Com todo este acontecimento eu fiquei uma pessoa bastante conhecida na cidade. Era o filho do Otavio da festa. Esta fama me acompanhou durante muito tempo. Até a poucos anos atrás quando ainda visitava minha cidade com certa assiduidade, era só falar para alguém com mais idade que era o filho do Otavio que já vinha logo em seguida a pergunta, o da festa?

Fama é fama. E os caminhos para ela são os mais variados possíveis.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Guris, eu ouvi!.

Como vocês já devem ter percebido, tenho muita afinidade com certo pessoal do Sul. Eu mineiro, sempre sou minoria em nossas conversas. Tão minoria que ás vezes, quando estão falando de acontecimentos ou pessoas de lá, esquecem das minhas origens e conversam comigo como se eu fizesse parte do contexto. E ainda querem que eu concorde com fatos, dos quais, não tenho o mínimo conhecimento.

Sou um bom ouvinte e o negocio deles é falar, e muito, sobre todos os assuntos. Donos de memórias prodigiosas lembram de casos que aconteceram com pessoas há décadas atrás. O caso de Dona Mimi, relatado por mim é um deles. Vocês sabiam que no início de sua carreira, quando ainda não existia o vídeo tape, a Hebe Camargo, tomava um Constellation (Connie para os íntimos) da Panair e ia fazer seu programa lá no Sul, ao vivo e sem cores?

Porto Alegre, nos tempos de criança deles, que só Deus sabe em que novecentos foi, era uma cidade que tinha praias. É, praia. Nas margens límpidas do rio Guaíba. Tinha gente até que ia veranear. Não chamam de férias como a gente, lá é veranear. E tinha casas, também de veraneio, em locais que hoje são bairros de POA. Chamavam veranear porque, literalmente, ficava-se fora todo o verão mesmo. De janeiro a março, a cidade ficava às moscas.

Tem a tal de Rua da Praia, que parece ser o local onde tudo acontecia, que só existe na cabeça dos porto-alegrenses. Acreditem, a tal rua não existe nos guias da cidade. Eles resolveram chamar a Rua dos Andradas de Rua da Praia e pronto! Esqueceram de vez a família mineira que tanto ajudou o Brasil nos tempos da independência.

E assim vai. Sempre tem um deles que se lembra de tal pessoa que morreu de tal jeito, daquela uma que foi Miss, de alguma coisa bem estranha ou ainda casos de pessoas famosas que só eles sabem de quem se trata. São tantas as estórias que para eu relatar teria que ficar aqui digitando dias e dias. Eu adoro e acho a maioria bastante engraçadas. Qualquer dia, para diversão de vocês, eu inauguro aqui um série de posts intitulados Guris, eu ouvi!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Uma lembrança querida e engraçada.

Sou o único varão da ninhada de seis filhos de meus pais. As minhas irmãs têm bastante ligação comigo, até mais do que entre elas. Sempre gostei muito de todas e, suponho, elas de mim. Mas minha afinidade maior era com minha irmã mais velha. Quinze anos mais velha que eu, foi a babá durante a minha infância. Minha mãe era professora e lecionava todos os períodos e alguém precisava tomar conta do reizinho e a árdua tarefa acabou ficando com a pobre coitada. São varias as estórias que curtimos juntos, principalmente depois que eu cresci e a diferença de idade passou a não ter importância.

Teve uma época, no começo dos anos 70, que ela resolveu aprender a dirigir e comprar um carro. Um fuscão vermelho. Que na época era um show. Eu o achava lindo e me tornei um assíduo usuário do possante. Mais não é sobre minhas peripécias que quero escrever, isto daria uma série de estórias dignas das fotonovelas da época.

Apesar de tentar, dirigir não era o forte de minha irmã. Ela era, usando um bom termo daqueles tempos, um navalha. Dirigia mal e era bastante ousada. Teve um dia que íamos para o trabalho, ela dirigindo, o que raramente eu deixava, e ela resolveu ultrapassar uma Kombi caindo aos pedaços, que andava extremamente devagar. Engatou uma segunda e foi, mas não foi muito. Conseguiu chegar até a metade da ultrapassagem quando se deu conta que não conseguiria tal intuito antes da chegada de uma curva próxima. Para ajudar aparece um carro no sentido contrário. Ela não teve dúvidas, virou o volante para direita e bateu lateral com lateral e não desgrudava. Quase morri de susto. Eu e o pobre do rapaz que dirigia a Kombi ficamos colados lado a lado, um olhando para o outro com cara de bobo. Enquanto ela, serelepe tentava se afastar.

Outra vez estávamos voltando de um sítio de amigos e ela resolveu parar para abastecer. Não sei o que ela fez, mas quando me dei conta, o carro estava sendo arrastado pela Via Dutra, preso no pára-choque de um daqueles caminhões enormes. O tranco foi tão grande que arrancou da bomba de gasolina a mangueira que estava encaixada na boca do tanque do carro. Foi um corre-corre e uma gritaria danada. Todos com medo da tal bomba explodir porque jorrou gasolina para todos os lados.

Sua carreira como motorista não durou muito tempo, ela própria reconheceu que não era uma pessoa talhada para esta atividade. Depois de algumas batidas aqui, umas raladas acolá, ela encerrou sua carreira de condutora. Nunca mais dirigiu. Dizia sempre que com ela ao volante o mundo estava correndo sérios perigos. E dava boas risadas contando suas artes atrás de um volante.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Uma declaração de amor.

Paris - 2004

Gosto muito de viajar, para mim é o que de melhor pode acontecer. Não sou preocupado com outros luxos como carro do ano, roupa de grife ou freqüência em lugares badalados. Meu negócio é viajar.

Não sou muito chegado em praias, acho bonitas, mas não tenho aquela fissura de ficar deitado ao sol. Gosto muito do clima da montanha. O problema é que me deprime um pouco. Meu foco concentra-se em um período em que o Brasil ainda não era conhecido, nem pelas praias maravilhosas. Gosto de cidades do período medieval e renascentista.

Outro período que gosto muito é o final do século XIX, começo do XX, a Belle Époque. O Impressionismo e a Art Nouveu são as coisas mais espetaculares que a França doou ao mundo. É de uma beleza sem igual. Acho uma agressão o que se faz por aqui com relação aos edifícios e a arte deste período.

Com isto, minhas possibilidades de viagem por aqui, acabam ficando bem limitadas.

Acabei me afastando um pouco dos meus propósitos iniciais que eram de enaltecer um lugar que gosto muito. Então, voltando. Quem me conhece sabe que eu sempre digo - meu lugar no mundo é Paris. Não que eu tenha ido muitas vezes nem sou um exímio conhecedor. Paris é o meu lugar, não por assiduidade, mas por afinidade. Acho a cidade linda. Tudo nela parece que tem um toque muito especial. Uma harmonia que não consigo encontrar em lugar algum.

Bobinho eu, não é? Só Paris. Mas é, foi amor a primeira vista, ou visita. Um amor que já existe há onze anos. Nenhum outro lugar conseguiu ofuscar esta chama. Em todos os lugares que conheci depois disto, eu fatalmente fui levado à comparação e Paris sempre ganhou.

São muitos os lugares que ainda pretendo conhecer. Alguns são monstros sagrados desde minha época de colégio, onde eu viajava em sonhos olhando o mapa mundi. E, desde aquela época meus olhos sempre voltavam para aquele pequeno ponto no coração da França. Ponto este que, agora eu sei, é o lugar mais bonito do mundo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Dona Mimi.

Como culinária está sendo um assunto muito em moda nos blogs dos amigos. Eu para felicidade e, literalmente, bem estar de vocês, ao invés de passar uma receita ou exibir ao público meus vexames culinários, resolvi contar uma estória engraçada.

Contam as más línguas gaúchas, que existia nos primórdios da televisão nos pampas, um programa de culinária comandado por uma senhora que se chamava Dona Mimi Moro. Como tudo, no que diz respeito ao começo da televisão no Brasil, tal programa era de uma improvisação sem igual. A tal senhora, com idade avançada, literalmente esquecia, no ar, a receita que estava fazendo, deixando todos no estúdio sem saber o que fazer.

Outra de suas peripécias era pular itens do que estava sendo detalhadamente acompanhado pela câmera. Ou então simplesmente dizia, em alto e bom som, três xícaras de farinha de trigo e com todo descaramento colocava quatro. E justificava dizendo que era apenas para acertar o ponto.

Era extremamente dura com suas auxiliares. Ao vivo e sem cores, ela passava a maior descompostura quando alguma delas ousava fazer algo errado ou começava a fazer procedimentos que não tinham sido anunciados ainda pela chef. Totalmente politicamente incorreta, tratava as pobres como se ainda não existisse a Lei Áurea. O seu programa era patrocinado por uma companhia de fogões que nem existe mais – Geral.

Contam os amigos – as tais línguas acima - que se alguém tentasse seguir as receitas dadas no ar, nenhuma delas ficava igual à demonstrada pela cozinheira. Por sorte, ou para aqueles que gostavam das receitas ela publicou três livros. Naturalmente revisados.

Não tive o prazer de conhecer a personagem, mas hoje, nas minhas atividades de simples auxiliar de cozinha, para a felicidade de muitos, quando a pessoa que está no comando começa com muitos pega isso, abre aquilo ou lava aquela coisinha, eu prontamente arremato - tá com síndrome de Dona Mimi, é?

domingo, 9 de dezembro de 2007

Cozinhar é uma arte.

Cozinhar é uma arte. Para a qual eu não tenho nenhum dom.

Inspirado pela amiga Chrises, vi tantas blogueiras escrever sobre culinária, nos links que tratam do assunto – ela está muito organizada. Procurei aqui a acolá e de repente me deparei com uma curiosidade, pelo menos para mim. Um Dicionário de Culinária.

Os termos que encontrei ali me espantaram. Nunca os tinha visto em lugar nenhum, muito menos em alguma coisa ligada à culinária. Santa ignorância. Fiquei tão empolgado com eles que resolvi trazer alguns para repartir com vocês.

Alguém sabe o que é branquear? Não pensem no Michael Jackson, estamos falando de comida. É o simples fato de mergulhar o alimento em água fervente alguns minutos. E isto branqueia o que? Que alimentos? O tal dicionário não diz. Se pelo menos a água quente tivesse um pouquinho de Cândida.

E clarificar, então? O propósito é deixar um caldo mais claro, mais limpo. Para tanto basta colocar, no tal caldo, mantendo a fervura, uma clara batida em neve. Ela tira todas as impurezas. Fiquei sem entender se o clarificar é por deixar claro ou por usar claras, um mistério. Imagino que o processo contrário, escurecer a neve, aconteça com as pobres das claras.

Outro, decantar. Nada a ver com o ato de botar o gogó para funcionar, aliás, é um procedimento bem sem graça. Só deixar um líquido descansar para que o sedimento se deposite no fundo do recipiente. Descansar quanto? Doze horas que nem o papagaio? Temperamental a comida decantada, não?

E estufar? Não, não é encher de ar. Este processo você já deve ter efetuado em sua cozinha, provavelmente já deve ter estufado alguma coisa. Se não estufou, coloque algum alimento para assar ou cozinhar em fogo lento e recipiente fechado que estará estufando. Tente. A primeira estufada a gente nunca esquece.

O mais engraçado já era um termo conhecido, não neste contexto, em outro completamente diferente. Sapecar era o dito cujo. A palavra é bem engraçada, mas o procedimento é bem simples, passar o alimento em chama viva. Alguém poderia me dizer se existe chama morta? E, se existir – qual o nome do procedimento?

Realmente, cozinhar é uma arte!

sábado, 8 de dezembro de 2007

Eta troço arretado!

Li na internet, num site português, estes mandamentos que atendem bem uma certa região do país.

Os 10 Mandamentos do Alentejo

1 - Viva para descansar.

2 - Ame a sua cama, ela é o seu templo.

3 - Se vir alguém descansando, ajude-o.

4 - Descanse de dia para poder dormir à noite.

5 - O trabalho é sagrado, não toque nele.

6 - Nunca faça amanhã, o que você pode fazer depois de amanhã.

7 - Trabalhe o menos possível; o que tiver para ser feito, deixe que outra pessoa faça.

8 - Calma, nunca ninguém morreu por descansar, mas você pode se machucar trabalhando..

9 - Quando sentir desejo de trabalhar, sente-se e espere que ele passe.

10 - Não se esqueça, trabalho é saúde. Deixe o seu para os doentes.


Óxente, o pessoal alentejano deve ser bem descansado, também, não é meu rei?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Dias difíceis.

Desculpem o desabafo.

Eu não sei vocês, mas eu estou sentindo uma prostração danada. Acho que é porque esta terminando mais um ano. Passou mais um, e rapidinho, tão rápido que a sensação é de que o mês passado era dezembro.

Já notaram como o ano caminha lento até julho e depois disso parece que pula para o Natal. O que mais me deixa neste abatimento e a percepção de que nada aconteceu de novo. Na política é até bobagem falar, uma vergonha nacional, pensar sobre o assunto ajuda, e muito, a piorar a situação, fora o fato de dar náuseas. A economia, todos dizem que tem uma melhora, eu não sinto nada disso, para mim a perda é galopante. A condição social do brasileiro é até piada discutir o assunto.

Eu aprendi com um amigo, que quando estamos passando por crises do tipo - “minha vida ta uma droga” - basta dar uma voltinha de carro e observar as pessoas, as crianças nas esquinas, um velho abandonado, um deficiente pedindo e assim por diante. Fazer este tour sempre faz você pensar melhor na vida, ainda maravilhosa, que tem.

Ontem ainda fiz isto, fiquei tocado naturalmente, muito pesaroso pelo sofrimento e dificuldades dos outros. Mas não deu resultados. Acho que toda a situação deixa-nos mais duros e embrutecidos. Não conseguimos desligar de nossos medos e apreensões. Acabei por ficar mais deprimido ainda, quando percebi meu egoísmo.

Ai eu desabei.

Dias difíceis!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Papagaio, não!!!!!

Depois de responder ao item 11 do Meme da Lele que falava sobre o pet que eu gostaria de levar para compartilhar um ano comigo, de pronto respondi – por razões óbvias, um papagaio. Resolvi pesquisar sobre o assunto e descobri que o meu “óbvio” não era tão óbvio assim.

Primeiro que é bem capaz do bicho viver mais que eu, em média vivem 60 anos. Para isto eu teria que descobrir a idade dele, levando-se em conta que, para os meus propósitos, eu precisaria de uma ave que pelo menos já tivesse na idade adulta. Fiquei imaginando, já pensou um papagaio adolescente, deve ser insuportável!

Descobri também que se trata de um bicho cheio de manhas e vontades. Com muitas frescuras para comer, seu espaço tem que ser sempre respeitado, tudo o que você fizer tem que ser pensado, para não abalar sua confiança. Precisa dormir em média de 10 a 12 horas por dia, no escuro e em local calmo. É extremamente irritado, nervoso e é de dar “pití” a toda hora. Companheirão não?

Bom, e o mais grave, sua capacidade para falar é muito limitada. Demora uma eternidade para aprender a repetir o que as pessoas dizem e, fazendo os cálculos, descobri que o ano em que ficássemos juntos, com uma persistência diária de 15 minutos ao alvorecer e mais 15 ao entardecer, porque não se pode cansar o bicho, ele estaria dizendo “oi” e “tchau”. Com certeza não seria um bom passatempo tentar alfabetizar um papagaio.

Depois de tanto remanchar, o que eu queria mesmo dizer é que estou mudando a resposta para a tal pergunta, que passa a ser:

- Não quero levar nenhum animal de estimação. Se for obrigatório levar um, quero um peixe paulistinha, pelos motivos que podem ser encontrados no blog Chrises. Quero também que a sua alimentação e o aquário não façam parte dos itens 01 e 14 do meme.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O milagre de Santa Bárbara.

No post de ontem eu comentava sobre o desaparecimento de uma leva de amigos que deixou de escrever nos seus blogs. Solicitei até a intervenção dos blogueiros, na ativa, para encontrarmos uma solução ou criar mecanismos preventivos para evitar que o problema afligisse todos os componentes – o tal de tangolomango.

Confesso que as duas ovelhas, desgarradas há mais de 15 dias, não me davam esperanças de que, pelo menos no curto prazo, existisse alguma salvação. Mas tudo na vida é uma questão de fé, e ela move montanhas. Na oração encontraremos a salvação. O coração puro merece milagres.

Aleluia, eis que dos céus uma luz se fez brilhar. Raios e trovões, enviados por Santa Bárbara, no seu dia de glória, despertaram uma parte das vítimas da paralisia. A Senhora das nuvens de chumbo fez valer sua vontade. Bendito o nome daquela que fulmina os ímpios e redime os corações empedernidos.

Agora só falta a proteção de Santa Eliza Acheler, no dia de hoje, para abençoar os blogueiros com a remissão dos outros desgarrados. E o rebanho estará novamente completo e atuante nesta nossa pequena parte da blogosfera.

Glória!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Tangolomango

Meninos e meninas, cuidado!

Tem alguma força misteriosa sugando os blogueiros neste dezembro. Está parecendo aquela brincadeira do eram dez, deu um tangolomango em um, ficaram nove. Deu um tangolomango em outro, ficaram oito. E assim por diante... e acabou ficando só quatro.

Tenho medo que a gente chegue no final da quadrinha:

“Era uma, meu bem, que ficou

Meteu-se a comer feijão;
Deu o tangolomango nela,
Acabou-se a geração!”

Já vinha acontecendo há algum tempo, nós tentamos ressuscitar alguns, sem o mínimo resultado. O preocupante é que neste mês a coisa está tomando grandes vultos. Só agora, nas calendas de dezembro foram três. Simplesmente desapareceram. Com dois deles, aconteceu logo após a publicação de grandes post, eu logo pensei, deve ser a fadiga, mas agora a última desapareceu logo após uma crise de deletar. É de deixar os cabelos em pé.

Eu mesmo, depois de tirar umas férias e curtir uma viagem, quando voltei fui tomado por uma prostração e não tinha forças para digitar um “a”. Se não fosse o encorajamento dos amigos, este blog estaria parado lá nos idos do mês passado.

Eu gostaria então de propor aos amigos que ainda postam, a discussão de algumas táticas para encararmos a sério o problema, os nossos, que ainda estão por vir, e o que de mal aconteceu aos outros.


Qualquer sugestão é válida e bem-vinda.

Meme da Lele

Respondendo ao convite da Chrises e da Adriana:

Você vai passar exatamente um ano em uma ilha deserta, onde existe uma certa infra-estrutura, mas ela é limitada. Além de você não haverá mais ninguém na ilha, mas você terá acesso a alguns privilégios limitados. Com isso em mente, seguem as perguntas:

1. Na ilha você terá água à vontade e frutas nativas. Se souber pescar, com sorte vai poder comer um peixe de vez em quando. Fora isso, você terá que escolher apenas um tipo de comida salgada e um tipo de comida doce para comer todos os dias, o ano inteiro (podem ser cruas ou cozidas). Quais você escolhe?
Esfiha de carne fechada e pudim de leite condensado, inteiro, lógico!

2. Além da água (e, também com sorte, água de coco se você estiver disposto(a) a subir no coqueiro) não há nenhuma outra bebida na ilha, mas você pode também escolher um único tipo de bebida, fria ou quente, alcoólica ou não, para ter à sua disposição ao longo do ano. Qual você escolhe?
Coca-Cola zero com bastante gelo, pelo menos um litro por dia, no mínimo.

3. Para manter a tradição, você pode também levar um único livro. Que livro você leva?
Qualquer um. Até Paulo Coelho eu topo, só para poder falar mal depois.

4. Igualmente, você poderá levar um único filme para assistir. Que filme você leva?
Cleópatra, pelo menos eu ia ver um monte de gente nova todo dia.

5. Você terá um notebook à sua disposição, mas com um único programa instalado. Mas você não pode usar um programa de comunicação (como email ou mensagens instantâneas). Qual programa teria mais utilidade para você e por que?
Algum editor de texto, ia ter um monte de post feito para poder postar na volta. Talvez alguns fora de época, como falar de um ranço político que provavelmente não existiria mais...rs.

6. Você poderá acessar a internet, mas este acesso é limitado a um único site, o ano todo. (Se você escolher o Google, por exemplo, não poderá navegar para os links dos resultados da sua busca, que estão fora do Google). Também não pode ser seu webmail, Meebo e afins ou sites de notícias (o que elimina os portais). Fora isso, não há restrição nenhuma ao tipo de site, inclusive os que permitem comunicação de outros tipos. A qual site você quer ter acesso por um ano e por que?
Acho que o blog Guris, eu vi! Bastante diversão, não?

7. Você também poderá ouvir música. Mas, claro, você terá que ouvir a mesma música o ano todo, pois só pode escolher uma. Qual você leva? E se fosse um CD?
Esta eu vou pedir conselhos no Musikal.

8. Você poderá escolher um dia do ano para fazer uma única ligação para uma única pessoa, com quem poderá falar por 10 minutos. Para quem você vai ligar, quando e por que?
Para minha caixa postal, no dia do meu aniversário. Só para dar fé de quem ligou.

9. Você poderá escolher um programa de TV para assistir ao longo deste ano na ilha - limitado à freqüência de uma vez por semana. Você só não poderá assistir nenhum tipo de noticiário, fora isso não há restrições. Que programa você quer assistir?
Como raramente eu vejo televisão, acho que ela vai ficar desligada. Ou melhor, o programa da Hebe, fiquei fã dela depois do “bolo” que ela deu na palhaçada da tv digital.

10. Quando for seu aniversário, você terá direito a receber uma carta de um(a) amigo(a) ou familiar que tenha uma novidade para contar (sobre si próprio ou não). De quem você gostaria de receber a carta e com qual notícia?
De qualquer amigo ou amiga ou ainda familiar, contando que, por qualquer razão, o vice-presidente tinha assumido.

11. Como não queremos que você transforme uma bola de vôlei no seu melhor amigo imaginário e a única pessoa na ilha será você, você terá direito a levar um animal de estimação para lhe fazer companhia (veja como estou facilitando sua vida!). Que tipo de animal você escolhe e por que? É um animal que você já tenha?
Por razões óbvias, um papagaio.

12. Do que você acha que sentirá mais falta? (Contato com as pessoas? Tecnologia? Não saber o que está acontecendo no mundo? Ttc...)
Vou fechar os olhos todos os dias e imaginar que estou em algum spa, e esquecer as pessoas, a tecnologia e principalmente o que está acontecendo no mundo.

13. Por outro lado, o que você acha que será positivo, proveitoso ou benéfico na experiência? Ou divertido?
Posso responder esta muito, mais muito tempo depois da experiência? Acho que pode ser que consiga encontrar alguma coisa positiva, proveitosa ou benéfica para dizer, divertida acho que não vai dar.

14. Por fim, você tem direito a levar 3 outros ítens à sua escolha que:a) não entrem em contradição com nenhuma das perguntas anterioresb) não seja algo que você vá usar para sair da ilha, como um barco, por exemplo.O que você vai levar e por que?
Uma mala cheia de coisas, não pode? Uma malinha pequena, não? Ta bom, óculos escuros, boné e uma caixa bem grande de protetor solar. Porque acho que se não chover vai fazer muito sol.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Volver a Buenos Aires.

Normalmente voltar a algum lugar é sempre muito bom, partindo do ponto de que estamos voltando por prazer, por ter gostado muito. Voltar a Buenos Aires foi uma festa. Se existe uma coisa que os portenhos devem se orgulhar é deste banho de cultura que sua capital oferece. Sente-se o impacto cultural nos pequenos detalhes, na beleza imponente dos edifícios com arquitetura do começo do século passado, ou até do final do século XIX, no cuidado com parques e jardins, no acúmulo de gente nas diversas livrarias da cidade ou nas salas de espetáculos lotadas.

Eu conheci a cidade somente no ano passado, pois sempre tive um senão contra ela, certo preconceito por ser América do Sul. Fiquei surpreso com o que vi e senti. A cidade praticamente me deixou de quatro. A ligação que fiz com algumas cidades européias foi quase instantânea, inclusive o jeito de ser do povo. A cidade me ganhou, curti cada detalhe do que vi. O novo e o antigo convivendo harmoniosamente e deixando a cidade com um visual bastante especial.

Nesta volta, já sem a surpresa do que ia encontrar, aproveitei mais intensamente os detalhes da cidade, não as atrações turísticas, somente o dia-a-dia, relaxar em um parque, jantar em bons restaurantes e comer aquela carne maravilhosa que não existe igual no mundo. Entrar em uma livraria, normalmente lotada, e ver as novidades, achar engraçado o nome com que eles batizaram alguns títulos conhecidos, ir a lojas de discos e xeretar nas estantes, achei coisas bastante interessantes e trouxe para o Roberto, como vocês viram em primeira mão no blog dele.

Voltar foi difícil, e para ajudar, quando chego ao aeroporto, em São Paulo, uma das primeiras coisas que ouço, vinda de uma televisão ligada no free shop, foi uma voz bastante conhecida e insuportável, dizendo que tudo era culpa da oposição e o mesmo blá-blá-blá de sempre. Só tive tempo de pensar – este é o mundo real, acorda.

Não me dei por vencido, virei para meu amigo e disse “quero fugir para Argentina” e imediatamente as boas recordações voltaram a minha mente.